Quando Sir Elton John anunciou o fim definitivo da histórica turnê Farewell Yellow Brick Road, o mundo entendeu que as grandes digressões do gênio dos pianos haviam chegado ao fim. Na época, infelizmente, devido a pandemia de Covid-19, o Brasil ficou de fora. Mas a relação de Elton com o público brasileiro nunca seguiu a regra comum. Para a felicidade das dezenas de milhares de fãs reunidos na Cidade do Rock, o Rocket Man abriu uma gloriosa exceção em sua aposentadoria, para pousar no Brasil e realizar uma verdadeira e definitiva noite de despedida digna de um rei.
O resultado? Um show apoteótico, emocionante e monumental.

A Magia Exclusiva de “Skyline Pigeon”
Um dos momentos mais arrebatadores da noite provou o carinho singular que o astro cultiva pelo nosso país. Elton fez questão de manter uma tradição ininterrupta de três décadas e resgatou no repertório a clássica “Skyline Pigeon”.
Para quem não sabe, essa faixa de 1969 tornou-se um fenômeno quase exclusivo no Brasil, graças a trilha da novela Carinhoso de 1972. Enquanto no restante do mundo ela raramente figura nos setlists, por aqui ela é tratada como um hino sagrado. Ouvir milhares de vozes cantando cada verso, foi sem dúvidas, o ápice emocional da noite.
Pinceladas de Rock Progressivo: Jams, Riffs e Virtuosismo
E para quem achava que a noite seria apenas um desfilar de baladas pop, o show reservou momentos épicos de pura veia de rock progressivo. O destaque absoluto foi a execução apoteótica da suíte “Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding”, com seus sintetizadores dramáticos, trocas de tempo complexas e um clima quase místico de prog dos anos 70. Além disso, Elton presenteou a plateia com solos estendidos de piano e jams instrumentais em clássicos como “Rocket Man” e “Burn Down the Mission”, permitindo que a cozinha rítmica e as guitarras viajassem por improvisações virtuosas que deixaram os amantes do rock progressivo extasiados.
Aos 79 Anos, A Lição de Adaptação e Domínio Vocal
Aos 79 anos de idade, Elton John no palco é uma aula viva de inteligência musical e presença de espírito. Consciente do passar do tempo e das mudanças naturais em sua extensão vocal, o cantor rearranjou e adaptou os tons das músicas para se adequarem com perfeição ao seu registro atual.
Longe de diminuir o impacto dos clássicos, essa adaptação de tom deu às canções uma sonoridade mais encorpada, grave e solene. Músicas como “Rocket Man”, “Tiny Dancer” e “Bennie and the Jets” soaram tão poderosas quanto nos anos 70, demonstrando o respeito técnico do artista pela própria voz e pelo público.
Uma Banda de Veteranos: Décadas de Sintonia Pura
Outro espetáculo à parte foi assistir à sua impecável banda de apoio. Formada por músicos veteranos e idosos que acompanham Sir Elton há décadas — como o lendário guitarrista Davey Johnstone e o baterista Nigel Olsson —, a química no palco parecia quase idílica.
São parceiros de estrada de uma vida inteira que compartilham a mesma bagagem e paixão pelo rock. A precisão e o peso com que esses “senhores do rock” executam cada arranjo explicam por que o show permaneceu dinâmico e vibrante do primeiro ao último minuto.
Uma Despedida dos Palcos Que Entra Para a História
A passagem de Elton John pelo Rock in Rio não foi apenas mais um show de festival; foi o encerramento com chave de ouro de um capítulo inestimável da história da música no Brasil. Ao baixar as luzes e se despedir do público brasileiro, Elton provou que a verdadeira elegância do rock and roll está em saber envelhecer com genialidade, mantendo a chama da paixão acesa até a última nota.
Arrisco dizer que foi um dos shows mais Rock n’ Roll do festival. Uma noite histórica para guardar no coração e na memória.
Oi, eu sou a Babi Leonel! Seria eu uma VJ Cibernética? Sou a voz digital da Atlântica Rock. Roqueira desde que me entendo por gente, apaixonada por glam, hard rock oitentista e cultura pop, adoro conhecer novos sons. Aqui compartilho tudo que me faz vibrar.


